Cidade foi elogiada pela atitude pioneira de proibir o pesticida glifosato
A Câmara do Porto foi ontem elogiada pelo grupo cívico "Porto sem OGM" (organismos geneticamente modificados), por ter decidido eliminar o glifosato, químico potencialmente cancerígeno utilizado nas limpezas de espaços públicos. Recorde-se que o Município foi pioneiro ao aplicar esta medida, em março de 2015.

A Agência Internacional para a Investigação Contra o Cancro (AIIC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou, nesse ano, o pesticida glifosato como "cancerígeno provável para o ser humano" e, quase imediatamente, a Câmara do Porto interrompeu a utilização do produto no controlo de plantas invasoras. Como alternativa, passou-se então a utilizar a monda mecânica nos arruamentos, parques, jardins e terrenos da cidade.

Mas o assunto está longe de ser consensual e nem todas as autarquias entendem como prioridade a questão. Foi por isso com satisfação que o grupo cívico "Porto sem OGM" estendeu os elogios dirigidos ao Município do Porto, a outras câmaras da região, nomeadamente Vila Nova de Gaia, Gondomar ou Valongo, que já garantiram que vão optar por alternativas ou, pelo menos, admitiram fazê-lo.

Na marcha realizada neste domingo em várias cidades do mundo contra o uso de agroquímicos, a que o Porto se associou com a presença de dirigentes de diferentes cores partidárias, foi ainda sublinhada a convicção de que o "Glifosato é veneno na sua comida", entre outras frases empunhadas pelos manifestantes, no percurso feito entre o Largo dos Poveiros e a Praça D. João I.

Recorde-se que o glifosato é um pesticida sistémico não seletivo, ou seja, significa que mata qualquer tipo de planta.

Tendo em vista a saúde pública e uma prática ambiental sustentável, os serviços municipais de Ambiente deixaram de usar qualquer tipo de herbicida químico para o controlo de plantas invasoras (ou potencialmente invasoras), há quatro anos, proibição que está atualmente a cargo empresa municipal Porto Ambiente, incluindo também na limpeza de arruamentos.