21/03/2022

A obra era uma ambição antiga da cidade, mas nunca anteriormente concretizada. Fica agora concluída, num esforço conjunto da Câmara do Porto, Universidade do Porto (U.Porto) e Instituto Politécnico do Porto (P.Porto), para a instalação de um parque urbano de excelência no campus universitário da Asprela.


São seis hectares de paisagem cuidadosamente arquitetada, com espelhos de água, 900 elementos arbóreos plantados, mais de 700 elementos arbóreos preservados, ribeiras e mais de dois quilómetros de percursos pedonais e cicláveis acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida.


A inauguração contou com a presença do ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, do reitor da U.Porto, António de Sousa Pereira, do presidente do P.Porto, João Rocha, para além de elementos da vereação e do presidente da Assembleia Municipal, Sebastião Feyo de Azevedo. Todos puderam apreciar, ao longo de um passeio, as mais-valias do parque, da autoria de arquiteto paisagista Paulo Farinha Marques.


O novo “pulmão verde” apresenta-se como um ponto de ligação de todo o campus universitário da Asprela, unindo várias faculdades da U.Porto e institutos do P. Porto, para além de toda a zona habitacional. “Ele existe e torna-se hoje uma realidade fruto de uma visão conjunta e ambiciosa por parte das três instituições de relevo da cidade”, sublinhou o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, para quem “este é um sinal claro de que é possível trabalhar em conjunto em prol de diversos públicos e com a certeza de que o resultado final é melhor do que a soma individual das suas partes”.


Rui Moreira lembrou que “este Executivo Municipal tem apostado, desde a primeira hora, na expansão e reabilitação das áreas verdes da cidade, criando mais espaços verdes e de fruição pública, uma necessidade que sempre sentimos por parte dos portuenses, mas que ganhou novos contornos e visibilidade com os períodos de confinamento forçado que recentemente todos vivemos”.




Assim, e para além do Parque da Asprela agora inaugurado, o Município está a terminar o remate poente do Parque da Cidade, com uma intervenção em cerca de 10 hectares, e que assim concluirá também uma obra projetada há décadas; encontra-se a reabilitar e a expandir o Parque de S. Roque, numa área aproximada, de dois hectares, e, quase a nascer, tem o Terminal Intermodal de Campanhã, inserido num jardim urbano que criará conforto e bem-estar numa zona que sempre foi esquecida. Muito em breve, vai ser lançada também a empreitada do Parque da Alameda de Cartes, reabilitando quatro hectares e criando um parque há muito ambicionado.


“Acredito que este é o caminho que todos devemos fazer. Um caminho vital rumo a uma cidade mais sustentável e que queremos que seja melhor para as novas gerações. Um Porto que, para além do cinzento granítico que o caracteriza, também está a começar a ser cada vez mais verde”, acrescentou Rui Moreira, não deixando, no entanto, de lamentar que haja ainda uma vedação a dividir o Parque Central da Asprela da Faculdade de Desporto. “Os campus devem, por princípio, ser espaços abertos. Pode ser que um dia não precisem de ter vedações”, frisou.


“Vai haver mais vida à volta deste espaço”


“Este parque surge num local ideal. Ao campus faltava este cozimento, que resulta num desenho magnífico e de valorização desta ribeira. Vai haver muito mais vida à volta deste espaço”, sublinhou o ministro do Ambiente, não deixando de lançar um aviso: “Isto foi feito para haver inundações. Porque isto é um leito de cheia, onde passa uma ribeira”.


O parque recorre às soluções de base natural (Nature Based Solutions), permitindo que, em períodos de chuvas muito intensas, o espaço se torne numa grande bacia de retenção, com capacidade para 10 mil metros cúbicos de águas pluviais. Assim, será possível impedir inundações, nomeadamente na linha de metro. Ao mesmo tempo, é garantida a regularização fluvial da Ribeira da Asprela, com uma extensão total de 594 metros.


Para o reitor da U.Porto, este é um espaço que “promove a qualidade urbana, ambiental, paisagística da cidade. O parque cumpre todos os seus propósitos, servindo cabalmente a cidade e as suas instituições de Ensino Superior. A Asprela vê renovada a sua centralidade, agora com mais qualidade de vida e, por isso, com maior capacidade de atração de moradores, serviços e comércio”, sublinhou António de Sousa Pereira.


Também o presidente do P.Porto destacou a importância e o envolvimento das instituições que fizeram nascer o novo “pulmão verde” da cidade. “Quando trabalhamos em conjunto é possível fazer mais e melhor. Aqui está um bom exemplo disso mesmo. Passamos de uma zona degradada, com alguns problemas de insegurança, criando uma solução que permite não só a prática desportiva e de lazer, com melhores condições de segurança para todos os que aqui trabalham e residem”, frisou João Rocha.


A intervenção, cujo investimento ficou próximo de 1,6 milhões de euros, foi parcialmente financiada pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente, que cedeu um milhão de euros, através da rúbrica “Adaptação às Alterações Climáticas - Recursos Hídricos". A Empresa Municipal Águas e Energia do Porto disponibilizou para a empreitada 519 mil euros.


Logo na manhã inaugural, o Parque Central da Asprela registou uma elevada afluência de pessoas que quiseram conhecer o espaço verde ou que aproveitaram para o estrear na prática desportiva. Com o apoio da empresa municipal Ágora - Cultura e Desporto do Porto, realizaram-se, no local, três atividades gratuitas: uma aula de defesa pessoal, uma caminhada no âmbito do programa “Domingos em Forma” e uma sessão de yoga (método DeRose). Também a Águas e Energia do Porto esteve presente no parque, promovendo o seu bem mais precioso - a água - distribuindo-a a quem passava, e, de igual modo, a empresa municipal Porto Ambiente associou-se à inauguração, divulgando a sua marca junto dos visitantes.


Ao parque fica associado também o nome do Professor António Cardoso, vice-reitor da U. Porto com os pelouros do Património Edificado e Sustentabilidade e recentemente desaparecido, através de uma placa existente no local e hoje descerrada, também na presença de familiares e de muitos docentes da Academia.



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