Quatro anos após a sua criação, o Pacto do Porto para o Clima entra numa fase de aceleração para atingir a neutralidade carbónica até 2030. Em 2024, a cidade emitiu cerca de 771 mil toneladas de CO₂ equivalente, o que corresponde a 2,8 toneladas por habitante. Estes resultados representam uma redução de cerca de 18% nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) face a 2019. Esse foi o ano com o valor mais baixo de emissões de GEE desde 2019, ano de referência para a meta da neutralidade carbónica.
O progresso está associado à evolução do sistema elétrico nacional e às medidas de eficiência energética, com a cidade a propor-se atingir uma redução de 85% das emissões de GEE face a 2019. Recorde-se que o compromisso assumido através do Pacto do Porto para o Clima - com o horizonte em 2030 - é mais ambicioso que a meta europeia, que coloca a meta da neutralidade carbónica em 2050.
Para a vice-presidente da Câmara do Porto, "mais do que atingir objetivos e metas, estes resultados positivos têm tido consequências diretas na vida dos portuenses".
"Ações concretas como os transportes gratuitos e mais fiáveis, a energia a preços mais acessíveis, o sistema de abastecimento de água sem desperdício ou a recolha e separação de resíduos eficaz são bons exemplos de como o Pacto do Porto para o Clima mexe e queremos que seja ainda mais ambicioso, com a vida dos nossos cidadãos, das nossas empresas e das nossas instituições", sublinha Catarina Araújo.
A responsável pelo Ambiente e Sustentabilidade considera que "temos uma cidade onde se vive com qualidade e o amanhã será ainda mais promissor", e que "os dados agora anunciados demonstram esse mesmo caminho, que queremos continuar a trilhar e de forma mais acelerada".
Estratégia passa por aumentar número de subscritores da sociedade civil
Face aos objetivos propostos, a estratégia passa por angariar mais subscritores e dar seguimento às medidas em vigor e/ou em vias de serem implementadas em diferentes setores, desenvolvidas pelo Município do Porto e por outras entidades, que vão permitir à cidade uma grande aceleração da trajetória.
Catarina Araújo refere que, "quando se fala de ação climática, é como remar um barco: se cada pessoa remar para um lado diferente, o barco não avança". "Precisamos que todos remem na mesma direção”, apela a vice-presidente da Câmara.
O Pacto do Porto para o Clima funciona como um enquadramento comum para várias medidas previstas ou em curso, entre as quais:
Estas medidas vão atuar nos setores mais responsáveis pela maioria das emissões do Porto: a mobilidade e a energia utilizada nos edifícios.
Os transportes representam aproximadamente 46% das emissões, enquanto a energia utilizada nos edifícios, equipamentos e atividades económicas corresponde a cerca de 45%.
Assim, a expansão do transporte público, a eletrificação das frotas e a melhoria das condições para as deslocações pedonais e em bicicleta, a par da eficiência energética, do recurso a energia renovável e do apoio às famílias em situação de pobreza energética assumem-se como áreas prioritárias para a transição climática no Porto.
Para tal, o Plano de Investimento do Contrato Climático estima uma necessidade global de cerca de 2,17 mil milhões de euros até 2030, o que implica a mobilização de investimento público e privado.
Sobre o Pacto do Porto para o Clima
Tendo em conta que os serviços municipais são responsáveis por 5% das emissões da cidade, a criação do Pacto do Porto para o Clima teve como objetivo aproximar e partilhar experiências com as restantes entidades da cidade, para que a transição climática não seja apenas um plano, mas sim um conjunto de ações concretas, que envolve toda a comunidade, sem deixar ninguém para trás, com impactos reais em todos os que vivem e/ou visitam o Porto.
Estes efeitos diretos podem contribuir para melhorar o conforto das habitações, reduzir os custos de energia, reforçar o transporte público e preparar a cidade para os efeitos das alterações climáticas.
O Pacto do Porto para o Clima é o ponto de contacto que reúne toda a cidade em torno de um objetivo comum: neutralidade carbónica até 2030, para a qual todos são chamados a agir.
Atualmente, conta com cerca de 300 subscritores institucionais e mais de 2.200 individuais, que vão desde o próprio Município do Porto e empresas municipais, até instituições públicas, como universidades e escolas, sociais, empresas privadas, movimentos cívicos e associações, bem como cidadãos em nome individual
A subscrição é gratuita, voluntária, não apresenta um caráter vinculativo e está aberto a todas as organizações e cidadãos que pretendam integrar este compromisso.
Em quatro anos, o pacto tem desenvolvido iniciativas como o ciclo de conversas "Porto Rumo à Neutralidade Carbónica 2030", a campanha "O que está nas nossas mãos?" e os "Roteiros com ImPacto".
Note-se que o Porto integra a Missão Europeia "100 Cidades Climaticamente Neutras e Inteligentes", que apoia as cidades na aceleração da transição e na demonstração de soluções que possam ser aplicadas noutros territórios.