17/09/2026

Quatro anos após a sua criação, o Pacto do Porto para o Clima entra numa fase de aceleração para atingir a neutralidade carbónica até 2030. Em 2024, a cidade emitiu cerca de 771 mil toneladas de CO₂ equivalente, o que corresponde a 2,8 toneladas por habitante. Estes resultados representam uma redução de cerca de 18% nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) face a 2019. Esse foi o ano com o valor mais baixo de emissões de GEE desde 2019, ano de referência para a meta da neutralidade carbónica.

 

O progresso está associado à evolução do sistema elétrico nacional e às medidas de eficiência energética, com a cidade a propor-se atingir uma redução de 85% das emissões de GEE face a 2019. Recorde-se que o compromisso assumido através do Pacto do Porto para o Clima - com o horizonte em 2030 - é mais ambicioso que a meta europeia, que coloca a meta da neutralidade carbónica em 2050.

 

Para a vice-presidente da Câmara do Porto, "mais do que atingir objetivos e metas, estes resultados positivos têm tido consequências diretas na vida dos portuenses".

 

"Ações concretas como os transportes gratuitos e mais fiáveis, a energia a preços mais acessíveis, o sistema de abastecimento de água sem desperdício ou a recolha e separação de resíduos eficaz são bons exemplos de como o Pacto do Porto para o Clima mexe e queremos que seja ainda mais ambicioso, com a vida dos nossos cidadãos, das nossas empresas e das nossas instituições", sublinha Catarina Araújo.

 

A responsável pelo Ambiente e Sustentabilidade considera que "temos uma cidade onde se vive com qualidade e o amanhã será ainda mais promissor", e que "os dados agora anunciados demonstram esse mesmo caminho, que queremos continuar a trilhar e de forma mais acelerada".

 

Estratégia passa por aumentar número de subscritores da sociedade civil

 

Face aos objetivos propostos, a estratégia passa por angariar mais subscritores e dar seguimento às medidas em vigor e/ou em vias de serem implementadas em diferentes setores, desenvolvidas pelo Município do Porto e por outras entidades, que vão permitir à cidade uma grande aceleração da trajetória.

Catarina Araújo refere que, "quando se fala de ação climática, é como remar um barco: se cada pessoa remar para um lado diferente, o barco não avança". "Precisamos que todos remem na mesma direção”, apela a vice-presidente da Câmara.

 

O Pacto do Porto para o Clima funciona como um enquadramento comum para várias medidas previstas ou em curso, entre as quais:

  • a expansão da rede de metro e metrobus;
  • a eletrificação das frotas de transporte público;
  • o reforço das soluções de mobilidade suave;
  • a instalação prevista de seis MW de energia solar em mais de 50 bairros de habitação municipal, abrangendo cerca de 30 mil residentes, projeto já está em vigor no Bairro Agra do Amial;
  • o desenvolvimento de comunidades de energia renovável;
  • o apoio do Porto Energy Hub na área da eficiência energética;
  • a melhoria do desempenho energético dos edifícios municipais;
  • a substituição de mais de 26 mil luminárias por tecnologia LED;
  • o alargamento da recolha de biorresíduos;
  • a reutilização da água e a valorização dos recursos provenientes das estações de tratamento;
  • o projeto "Porto Gravítico" que permite o aproveitamento dos declives da cidade para reduzir a energia no abastecimento de água.

 

Estas medidas vão atuar nos setores mais responsáveis pela maioria das emissões do Porto: a mobilidade e a energia utilizada nos edifícios.

Os transportes representam aproximadamente 46% das emissões, enquanto a energia utilizada nos edifícios, equipamentos e atividades económicas corresponde a cerca de 45%.

 

Assim, a expansão do transporte público, a eletrificação das frotas e a melhoria das condições para as deslocações pedonais e em bicicleta, a par da eficiência energética, do recurso a energia renovável e do apoio às famílias em situação de pobreza energética assumem-se como áreas prioritárias para a transição climática no Porto.

 

Para tal, o Plano de Investimento do Contrato Climático estima uma necessidade global de cerca de 2,17 mil milhões de euros até 2030, o que implica a mobilização de investimento público e privado.

 

Sobre o Pacto do Porto para o Clima

 

Tendo em conta que os serviços municipais são responsáveis por 5% das emissões da cidade, a criação do Pacto do Porto para o Clima teve como objetivo aproximar e partilhar experiências com as restantes entidades da cidade, para que a transição climática não seja apenas um plano, mas sim um conjunto de ações concretas, que envolve toda a comunidade, sem deixar ninguém para trás, com impactos reais em todos os que vivem e/ou visitam o Porto.

 

Estes efeitos diretos podem contribuir para melhorar o conforto das habitações, reduzir os custos de energia, reforçar o transporte público e preparar a cidade para os efeitos das alterações climáticas.

 

O Pacto do Porto para o Clima é o ponto de contacto que reúne toda a cidade em torno de um objetivo comum: neutralidade carbónica até 2030, para a qual todos são chamados a agir.

 

Atualmente, conta com cerca de 300 subscritores institucionais e mais de 2.200 individuais, que vão desde o próprio Município do Porto e empresas municipais, até instituições públicas, como universidades e escolas, sociais, empresas privadas, movimentos cívicos e associações, bem como cidadãos em nome individual

 

A subscrição é gratuita, voluntária, não apresenta um caráter vinculativo e está aberto a todas as organizações e cidadãos que pretendam integrar este compromisso.

 

Em quatro anos, o pacto tem desenvolvido iniciativas como o ciclo de conversas "Porto Rumo à Neutralidade Carbónica 2030", a campanha "O que está nas nossas mãos?" e os "Roteiros com ImPacto".

 

Note-se que o Porto integra a Missão Europeia "100 Cidades Climaticamente Neutras e Inteligentes", que apoia as cidades na aceleração da transição e na demonstração de soluções que possam ser aplicadas noutros territórios.