A Maker Faire convida quem a visita a três gestos: criar, aprender, partilhar. A Porto Ambiente chega à primeira edição portuguesa do evento para acrescentar um quarto, que é o que faz todos os dias: reparar.
Nascido do movimento que junta inventores, artistas, fab labs e entusiastas do «faça você mesmo», o festival já passou por cidades como Roma, Barcelona ou Hannover e estreia-se agora em Portugal, de 18 a 20 de setembro, na Alfândega do Porto. O dia 18 é dedicado às escolas, entre as 09h30 e as 18h00; sábado e domingo, das 10h00 às 19h00, o evento abre a toda a gente, com oficinas, demonstrações ao vivo e experiências práticas nas áreas da tecnologia, da fabricação digital, da ciência, das artes e da economia circular.
Começa desde logo pela casa que o acolhe: uma antiga alfândega oitocentista, à beira do Douro, que a cidade decidiu não demolir e transformou num dos seus espaços mais vivos. Reutilizar em grande escala é exatamente isto.
E a própria organização assume a sustentabilidade como princípio do evento - reutilizar estruturas, mobiliário e sinalética, reduzir impressos, separar resíduos, incentivar os transportes públicos - sob o lema "Fazer, reparar e reutilizar". Podia estar escrito à entrada do EcoPorto.
O EcoPorto, o Centro para a Reutilização instalado no Ecocentro da Prelada, existe precisamente para mostrar que reparar é uma forma de criar. Ali recuperam-se eletrodomésticos, mobiliário e computadores que de outro modo terminariam como resíduo, e devolvem-se à cidade através de uma plataforma onde pode reservar o que precisa. Na Alfândega, o EcoPorto leva esse trabalho ao encontro de quem gosta de pôr as mãos na massa: uma oportunidade para perceber o que há dentro das coisas, o que ainda se aproveita e o que muda quando a resposta deixa de ser deitar fora.
Ao lado, o Pacto do Porto para o Clima - iniciativa do Município do Porto, gerida pela Porto Ambiente - traz a questão da escala. A neutralidade carbónica da cidade até 2030 não se atinge com gestos isolados, mas com compromissos concretos assumidos por muitos: são já mais de 250 as organizações subscritoras, a que se juntam centenas de cidadãos. Quem passar pelo nosso espaço pode conhecer o Pacto e, querendo, subscrevê-lo ali mesmo, de forma voluntária, não vinculativa e gratuita.
Porque um Porto mais limpo e mais neutro em carbono é, no fundo, o maior projeto maker da cidade: milhares de pessoas a construir a mesma coisa ao mesmo tempo.
A Maker Faire Porto é organizada pela CRU Creative Hub, VivaLab Porto e The Backstage Agency, com licenciamento oficial da Make, no âmbito da Convocatória Aberta 2025 coordenada pela Porto Digital, com apoio institucional e financeiro da Câmara Municipal do Porto.
Programa completo em makerfaireporto.com