17/09/2026

A Porto Ambiente marcou presença no 8.º Encontro Nacional de Limpeza Urbana (ENLU), que decorreu em Guimarães e reuniu cerca de 400 participantes ao longo de três dias, sob o mote "[DES]CONSTRUIR O FUTURO". A cidade foi representada por Pedro Mendes, Administrador Executivo da empresa municipal, que integrou o painel “Investir na limpeza urbana, investir na cidade”. O encontro, promovido pela Associação Limpeza Urbana – Parceria para Cidades + Inteligentes e Sustentáveis, encerrou com visitas técnicas ao Centro de Valorização de Resíduos e ao Laboratório da Paisagem.

 

A edição deste ano teve lugar no município que é, em 2026, Capital Verde Europeia, o que atravessou boa parte do programa. Acolher o encontro no ano da Capital Verde aproximou as grandes metas ambientais de um serviço que os cidadãos avaliam todos os dias e que cruza saúde pública, qualidade do espaço público, economia circular e cidadania.

 

"Uma cidade limpa não é apenas a cidade onde se limpa mais, é aquela onde se cuida melhor. No Porto, cada rua limpa, cada contentor no sítio certo, cada resíduo desviado do aterro é uma decisão sobre o espaço público que queremos partilhar. Encontros como este são fundamentais porque nos obrigam a sair da nossa própria operação, a confrontar o que fazemos com o que outros já resolveram melhor e a trazer isso de volta para o terreno", afirmou Pedro Mendes.

 

A participação do Porto dá continuidade a um percurso já com alguns anos. Em 2025, foi a cidade a receber o ENLU, na Alfândega do Porto, na edição que estreou a componente expositiva Urban Cleaning Expo & Showroom, depois de Braga, Loulé, Cascais e Funchal.

 

Um debate sobre o que deve ficar para trás

 

O momento central do programa foi a mesa-redonda que deu nome à edição, reunindo Ricardo Araújo, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais, Liliana Pimentel, presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, e Luís Lopes, vereador da Câmara Municipal de Leiria.

 

A partir de realidades municipais distintas, o debate convergiu numa ideia comum: a limpeza urbana deixou de ser uma tarefa de bastidores para se assumir como indicador da qualidade de vida e da forma como cada cidade cuida do espaço que partilha. Falou-se de cidadãos cada vez mais exigentes e participativos, da necessidade de serviços preparados para responder a situações extraordinárias e da importância de transformar cada desafio em aprendizagem.

 

Ficou também a ideia de que muitos dos problemas são comuns e que desconstruir implica cooperar - partilhar conhecimento, meios e capacidade de resposta entre municípios. E que, depois de desconstruir, é preciso construir, o que exige escolhas e coragem para deixar para trás o que já não responde às cidades que se querem.

 

Fiscalização, dados e novos agentes

 

A fiscalização ambiental foi outro dos temas em destaque, num painel que a enquadrou menos como instrumento de controlo e mais como ferramenta de sensibilização e de prevenção de comportamentos.

 

O programa contou ainda com um olhar internacional, através da apresentação da experiência de videomonitorização aplicada à fiscalização da limpeza urbana em Salvador, no Brasil, um tema com leituras diretas para o contexto das cidades portuguesas. Foi também apresentada a atividade da ÚNICO, entidade responsável pela gestão de plásticos de uso único, cujo modelo prevê que os produtores contribuam financeiramente para os custos que estes resíduos representam para os municípios, da varredura à limpeza de praias e ao encaminhamento para destino final.

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