Porto está livre do pesticida glifosato desde 2015

A cidade está livre de glifosato desde março de 2015. Decisão tomada logo no primeiro mandato de Rui Moreira evidencia o caráter pioneiro do Porto nesta matéria tão importante para a saúde.


Com efeito, o pesticida glifosato foi classificado como "cancerígeno provável para o ser humano" pela Agência Internacional para a Investigação Contra o Cancro (AIIC) da Organização Mundial de Saúde (OMS), em março de 2015. Nesse mesmo mês, a Câmara do Porto interrompeu definitivamente a utilização desse produto no controlo de plantas invasoras, passando a utilizar a monda mecânica nos arruamentos, parques, jardins e terrenos da cidade.


O glifosato é um pesticida sistémico não seletivo, ou seja, significa que mata qualquer tipo de planta. 


Tendo em vista a saúde pública e uma prática ambiental sustentável, os serviços municipais de Ambiente deixaram de usar qualquer tipo de herbicida químico para o controlo de plantas invasoras (ou potencialmente invasoras) em parques e jardins, sendo todo o trabalho feito através do recurso à monda mecânica. A proibição estende-se ao controlo de invasoras hoje a cargo da empresa municipal Porto Ambiente, incluindo também na limpeza de arruamentos.


Este controlo, obrigatório por lei, está dependente de recursos humanos devidamente apetrechados com meios mecânicos, recorrendo pontualmente a alguns compostos de origem orgânica (produtos autorizados que seguem as indicações apresentadas pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária, resultantes do sistema de homologação em vigor que tem como suporte jurídico-base o Decreto-Lei n.º 94/98 de 15 de abril).


A monda mecânica pode ser executada através da utilização de motorroçadora (mais versátil, usa-se essencialmente na limpeza de arruamentos, mas também nos terrenos em que o trator está impossibilitado de intervir); trator com braço triturador acoplado (utiliza-se essencialmente em taludes ou terrenos com forte inclinação); trator com capinadeira acoplado (utilizado em terrenos sem grande desnível e sem terras soltas).


Contributo para a Economia Circular


Além dos benefícios para a saúde pública, esta prática dos serviços ambientais da Câmara do Porto apresenta também resultados ao nível dos índices de reciclagem, promovendo a Economia Circular dos Resíduos. Os resíduos vegetais produzidos na limpeza dos arruamentos são recolhidos e transportados para o ecocentro, para depois serem encaminhados para a Central de Valorização Orgânica (CVO) da LIPOR.


A CVO da LIPOR tem capacidade para valorizar 60 mil toneladas/ano de matéria orgânica proveniente da recolha seletiva de resíduos biodegradáveis (resíduos alimentares e resíduos vegetais), o que se traduz numa produção de cerca de 15 mil toneladas/ano de corretivo orgânico de alta qualidade, um composto para utilização na agricultura, com o nome comercial "Nutrimais".